Começam a surgir alertas sobre a destruição permanente da demanda por petróleo
Os alertas de que o choque na oferta de petróleo causado pela guerra no Oriente Médio provocará mudanças permanentes nos padrões de demanda estão se multiplicando. Quanto mais tempo a guerra durar, maiores serão as chances de essas mudanças se materializarem à medida que os estoques perdidos se acumularem.
A Bloomberg noticiou na semana passada que há até 1 bilhão de barris de petróleo em oferta perdida, "praticamente garantida", observando que a demanda já está sendo destruída na Ásia. No entanto, essa destruição está se espalhando pelo mundo lenta e silenciosamente, mas de forma segura, à medida que os governos se aproximam do esgotamento das reservas de petróleo utilizadas para atenuar o impacto da perda de oferta no Oriente Médio sobre os preços.
“Até hoje, perdemos 13 milhões de barris de petróleo por dia... e há grandes interrupções no fornecimento de commodities vitais”, disse o secretário-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, à CNBC no início deste mês. “Estamos enfrentando a maior ameaça à segurança energética da história”, afirmou Birol, reiterando a declaração em entrevista ao The Guardian, na qual criticou governos de todo o mundo por tornarem suas economias dependentes de hidrocarbonetos. Birol tem sido um defensor declarado da transição do petróleo e gás para a energia eólica e solar.
O argumento da transição energética se beneficiou significativamente da crise do petróleo, como afirmou Birol, da AIE (Agência Internacional de Energia), ao The Guardian. “A percepção de risco e confiabilidade mudará. Os governos revisarão suas estratégias energéticas. Haverá um impulso significativo para as energias renováveis e a energia nuclear, além de uma mudança ainda maior em direção a um futuro mais eletrificado”, disse ele à publicação, observando que isso resultaria em uma perda permanente na demanda por petróleo.
“Estamos na faixa dos US$ 150, mas não acho absurdo sugerir US$ 200. Seria bastante razoável, considerando que estamos praticamente enfrentando uma crise diária, equivalente a uma interrupção no fornecimento”, disse Greg Newman, CEO do Onyx Capital Group , no início de março. “Não me surpreenderia se o petróleo chegasse a US$ 200, ou até mesmo US$ 250, porque os preços das commodities disparam quando há escassez de oferta”, afirmou Chris Watling, estrategista-chefe de mercado da Longview Economics, na época.
28.04.2026 - Redação Rede Global de Comunicação Conhecimento é Poder
