O Irã não retalia, nem negocia, ele prossegue sua luta contra a potência mundial


Presidente Donald Trump, e com ele todos os políticos e comentadores ocidentais, consideram que os Iranianos não deveriam fazer mais do que tentar escapar às bombas do Pentágono e retornar a um nível de vida aceitável. Assim, eles deveriam cessar seu programa nuclear e abrir o Estreito de Ormuz. Ora, manifestamente, está não é a sua preocupação. Os Ocidentais de forma alguma compreendem aquilo que querem os iranianos. Eles desejam libertar o seu país da exploração colonial anglo-saxônica e libertar o mundo da dominação colonial ocidental.

Mohammad Mossadegh mostrou que era possível recuperar os bens da Nação. Ele nacionalizou o petróleo e negociou a parte que o seu país ia conceder às companhias estrangeiras. É certo, foi derrubado pela CIA e pelo MI6 com a cumplicidade do Xá, mas o que ele tinha conseguido jamais pôde ser revogado. Mossadegh acordou uma Nação explorada. É certo, Khomeiny, que era muito orgulhoso, combateu Mossadegh, mas eles jamais divergiram quanto à sua concepção da soberania iraniana.

Desde o princípio, o Irã estava consciente de não poder abater a aviação israelo-americana. As suas Forças Armadas destruíram efetivamente alguns bombardeiros em vôo, mas o Irã escolheu mostrar aos seus amigos árabes do Golfo que as potências coloniais os estavam explorarando. Atacou as bases militares norte-americanas na Arábia Saudita, no Barém, nos Emirados Árabes Unidos, na Jordânia, no Kuwait e no Catar. Explicou a cada um destes Países que eram cúmplices da agressão norte-americana, uma vez que haviam cedido parte dos seus territórios ao Pentágono que os utilizava para a sua agressão.

O caso do Sultanato de Omã é um pouco diferente. É um Estado neutro que não acolhe nenhuma base militar estrangeira. No entanto, em 12 e 13 de Março, ele deixou bombardeiros e drones dos EUA sobrevoar o seu território para atacar o Irã. Depois de uma viva altercação com Teerã, Mascate pôs fim a estas intrusões. Pelo contrário, os outros Estados do Golfo não conseguiram mudar a sua posição. Teimaram em agarrar-se à Resolução 2817 do Conselho de Segurança, a qual viola o Direito Internacional e consagra a “superioridade” do ponto de vista ocidental.

Nesse momento, ninguém compreendeu o que se passava. Os comentadores internacionais ironizaram sobre a idiotice dos iranianos que atacavam os seus próprios aliados. Mas com o tempo, cada um destes seis Estados começou a interrogar-se se não tinha ele próprio provocado o seu infortúnio ; se o problema não era o de terem aceitado bases militares norte-americanos para os defender, mas que, na realidade, elas os tinham convertido em mercenários dos Ocidentais e em alvos dos iranianos.

Para agravar as coisas, Teerã escreveu aos governos alemão, britânico, cipriota, romeno e búlgaro a fim de lhes significar, por sua vez, que autorizando o Pentágono a usar suas bases militares para levar a cabo a agressão, eles se tornavam cúmplices e se expunham a uma retaliação.

Depois, os iranianos evocaram a cumplicidade da maior parte dos Estados no mundo --- salvo a Rússia, a Bielorrússia e a China --- no roubo de bens iranianos no Exterior, e no bloqueio dos bancos iranianos com os quais ninguém se atreve a estabelecer relações. No momento, ninguém deu importância a estas recriminações. Ninguém compreendeu, portanto, quando os iranianos mencionaram um procedimento administrativo para atravessar o Estreito de Ormuz. Os comentadores internacionais chegaram mesmo a ironizar sobre a suposta idiotice dos iranianos que queriam impor uma portagem a um canal natural.

Os iranianos explicaram que só autorizariam os navios de países não envolvidos na agressão a atravessar o Estreito, e que apenas pediam garantias bancárias aos demais, em caso de acidente. O pânico apoderou-se então das companhias marítimas : como dar garantias bancárias ao sistema bancário iraniano, excluído do sistema bancário mundial desde há trinta anos pela Secretaria norte-americana do Tesouro?

Desta vez o Irã dirige-se a nós : somos cúmplices de uma política que visa matá-lo de fome e não tínhamos consciência disso. Exatamente como a Alemanha, a Arábia Saudita, o Bahrein, a Bulgária, os Emirados Árabes Unidos, a Jordânia, o Kuwait, o Catar, a Romênia e o Reino Unido são cúmplices da agressão militar sem jamais terem optado por se associar a ela.

Vamos ter que escolher : ou continuar a fazer os iranianos passar fome, fingindo não ter consciência disso, ou nos libertarmos dos Estados Unidos.

Por Edson A Souza

13.05.2026 - Redação Rede Global de Comunicação Conhecimento é Poder

Posted 2 weeks ago