Bloqueio dos EUA coloca em risco o colapso econômico global
Trump fala em contradições. Num momento, ele diz: "Se eles não aceitarem, nós os destruiremos", no seguinte: "Faremos um grande acordo". É um fluxo de declarações contraditórias. Visa apenas levantar dinheiro no mercado de ações para jogadores privilegiados próximos a Casa Branca. Trump está ganhando muito dinheiro com está brincadeira da mau gosto.
Entretanto, os EUA têm três porta-aviões na região: o USS Gerald R. Ford retornou ao Mar Vermelho, o USS George H.W. Bush está se deslocando do Cabo da Boa Esperança em direção ao Mar Arábico e o USS Abraham Lincoln está posicionado no Mar Arábico, fora do alcance dos mísseis iranianos. Além disso, os bombardeiros B-52 e B-1B intensificaram seus voos sobre o corredor Mediterrâneo Oriental e Golfo Pérsico, com forte apoio de reabastecimento aéreo.
Nesse contexto, a iniciativa de Trump em direção a um "cessar-fogo por tempo indeterminado" é surpreendente e completamente incoerente.
A decisão de impor o bloqueio é moldada não apenas pela iniciativa do Irã em manter o controle e recusar negociações, mas também por restrições militares, econômicas e políticas.
O Irã já está preparado para a guerra. Ao manter o Estreito de Ormuz aberto, pretende reduzir a presença dos EUA no Golfo, forçar Israel a cessar-fogo nas frentes vizinhas – especialmente no Líbano – e estabelecer um equilíbrio a longo prazo que previna ameaças futuras. O Irã entende que toda concessão aos EUA ou a Israel resulta, posteriormente, em maior pressão militar.
Ao mesmo tempo, Washington enfrenta sérias limitações. Apesar das alegações de Donald Trump de que os estoques foram reabastecidos, fontes abertas indicam que munições de precisão, como JASSMs, Tomahawks e SM-3s, estão sob forte pressão, com capacidade limitada de restaurar rapidamente a capacidade produtiva. Mesmo contratempos operacionais recentes, incluindo uma custosa missão de resgate aéreo envolvendo múltiplas aeronaves para um único piloto, atraíram críticas internas. Porém, sabemos ser apenas dialética - a maior potência militar do mundo tem munições ilimitadas com depósitos subterrâneos em seu extenso território e por diversos países espalhados pelo mundo... os USA podem desenvolver uma guerra por muito tempo.
Trump precisa de uma narrativa de sucesso – mas não há nenhuma. As alegações de “20.000 alvos atingidos” contrastam com uma realidade muito menos decisiva. Em vez disso, ações simbólicas são destacadas, como a interceptação de um navio porta-contêineres pelo USS Spruance após uma perseguição prolongada, apresentadas mais como espetáculo do que como estratégia de guerra.
No entanto, essas medidas carecem de efeito estratégico. Um bloqueio sobre um espaço marítimo tão vasto não pode ser decisivo, e impô-lo durante um cessar-fogo é inerentemente contraditório, minando a desescalada. Enquanto o bloqueio continuar e o Estreito de Ormuz permanecer interrompido, a crise se expandirá para além da região, transformando a interrupção do fornecimento de energia em uma pressão sistêmica global.
Por Edson A Souza
29.04.2026 - Redação Rede Global de Comunicação Conhecimento é Poder
